A Última Discussão - Bruno Vieira

COMEÇA ASSIM, DIRETO NAS PALAVRAS

A ÚLTIMA DISCUSSÃO não é apenas uma frase, uma definição, um anúncio, um ponto final. É também, a epígrafe de uma viagem por um mundo sem saídas. Nada de pores de sol ou contraplanos obcecados por uma beleza fugidia. O fotógrafo Bruno Vieira percorreu 36 países. Com sua câmera, o objeto, a tundra - viu no mundo o que o mundo nos pode oferecer: passado, futuro, abismo. Também não procurou “captar” a alma dos países, seu povo e transeuntes como a maioria dos artistas contemporâneos costumam dizer que o fazem. Prostrou-se diante do absurdo. Viu resquícios de guerras intermináveis, teve a chance de perceber que o nosso abandono é ancestral. Esteve lá, com sua câmera, uma experiência, um jeito de fazer a existência ter sentido. Assim sendo, a fotografia será para sempre o invólucro para todas as rasuras e devaneios do nosso tempo e dos tempos passados. Dos tempos futuros eu mesmo não sei qual o “objeto” que estará diante da próxima imagem. A poesia de A ÚLTIMA DISCUSSÃO é crua.

Catacumbas reais. Igrejas subterrâneas. Memorial para as vítimas da Segunda Guerra. Minas de sal. Escombros de uma usina de energia. O Allien VII que despenca da parede de uma base aérea abandonada. A casa de máquinas no porão de um hotel. A estrada de terra, o céu anoitecendo, o azul infando.

A poesia de A ÚLTIMA DISCUSSÃO é real. Lida com a verdade. É um livro aberto. Poderá ser lido, modificado página pós página. São fotografias de um mundo acumulado, registros ativos mesmo que estejam entregues ao esquecimento, tanto lá por onde o fotógrafo andou quanto por aqui, onde estamos. Todos à beira. Poderá fazer os nossos olhos pensarem: porque não a beleza? Porque a beleza está no limite. Agoniza. Fotografia nenhuma suporta ser apenas “tão bela”. Ou geme, sangra, grita ou sucumbe como a imagem de um mais um homem ou mulher que “acordou” fotógrafo/fotógrafa e passam a produzir ruídos ocos, vazios. Se vivemos num mundo em excesso, estamos tratando dessa situação de humanidades onde estamos inseridos. Portanto, qual a alternativa? Um lugar para o olhar. Uma discussão final. Um livro aberto.

Diógenes Moura

Escritor e Curador de Fotografia


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